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Observar
os fenômenos celeste sempre nos reserva um espetáculo
novo a cada observação. E para o nosso prazer, estes
fenômenos não são apenas os famosos eclipses
lunares ou solares. Vão muito além deles e são
muito mais periódicos do que podemos imaginar. São
desde descobertas de novos cometas, que a cada ano cruzam nossos
céus, até gigantescas explosões estrelares, que
possivelmente dão origem aos famosos buracos negros.
Muitos
destes fenômenos estão aquém da
observação
sem equipamentos. Outros, porém, estão acessíveis
à observação para qualquer mortal. Tal é
o caso do transito de planetas, como o trânsito de Vênus
que ocorrerá dia 8 de junho próximo.
Figura 1
-Trânsito de Vênus 2004. Escala proporcional ao
diâmetro
aparente. 1) posição de Vênus durante o
nascer-do-sol em Vitória; 2) posição de
Vênus
no final do trânsito;
Chamamos
de trânsito de um planeta o fenômeno semelhante a um
eclipse solar. Porém, ao invés da Lua estar entre os
astros Terra-Sol, temos os planetas interiores: mercúrio e
Vênus, com um diâmetro aparente muito menor do que nosso
satélite, fazendo com que apenas uma pequena região do
Sol seja obscurecida (Figura ao lado).
O
trânsito ocorre sempre que há uma conjunção
onde os planos orbitais dos planetas se cruzam. Chamamos estes pontos
de nodos (Figura ). Como notamos na figura abaixo, nem todas as
conjunções teremos o trânsito -é caso de
uma conjunção inferior, devido a diferença
angular entre os planos de órbitas dos planetas.
Além
de um espetáculo da natureza, a ciência pode se
beneficiar desse fenômeno. Neste caso é a chance de se
calcular com a máxima precisão a distância
Sol-Terra, medida
fundamental em astronomia.
Figura 2
-Planos de órbita da Terra e Vênus mostrando 2 tipos de
conjunções.
Existem
vários fatos históricos interessantes que podemos notar
nos trãnsitos de Vênus. Entre eles está o do
astrônomo Edmond Halley ter sido o primeiro a perceber que
através do trânsito de Vênus que ocoreria em 1761
poderíamos
calcular a distância Terra-Sol usando a paralaxe do Sol (Figura
3). A partir de então, numerosas expedições
científicas têm se formado para observar esse
fenômeno.
Entre essas expedições está a controversa
participação de brasileiros numa Comissão
Internacional criada para observar o último trânsito de
Vênus, em 1882. Motivo pelo qual o parlamento fez muitas
críticas ao Imperador D. Pedro II, chegando até a
dizerem que nossa participação seria apenas como
carregadores de instrumentos. A missão brasileira, por ironia,
foi a que obteve o maior êxito: na patagônia
astrônomos
brasileiros conseguiram medir a distância Terra-Sol entre os
mais precisas do mundo, fazendo jus a nossa ciência.
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Figura 3
-Paralaxe do Sol medida de 2 pontos da Terra. Paralaxe
é
o deslocamento angular aparente de um corpo com relação
a outros mais distantes, conforme as 2 sombras de Vênus
indicadas sobre o Sol.
Para
que isso?
Em
astronomia é fundamental a precisão; para os estudantes
é a chance de ter uma aula prática sobre ângulos,
trigonometria, vetores, eclipses, movimento dos planetas, esferas e
leis de Kepler. Para o leigo, basta colher os frutos indiretos que as
ciências exatas, entre elas a astronomia, nos traz. As
câmaras digitais, por exemplo, é um legado dos anos 70
advindo da necessidade de se obter imagens astronômicas mais
precisas que os filmes fotográficos.
Este
fenômeno será visível no Brasil?
Em
Vitória, como no restante do Brasil, se as
condições meteorológicas permitirem, veremos o Sol
nascer “eclipsado”, com o planeta Vênus cruzando o seu disco. O
fenômeno está previsto para terminar as 8:32h. Portanto,
temos que acordar cedo. Em
Vitória, no dia 8 de junho, o Sol nascerá as 6:14 h. O
próximo trânsito de Vênus visível no Brasil
será em 2117.
Atividades no Observatório
Astronômico e Planetário
O Observatório Astronômico
da Ufes estará aberto a visitação, caso as
condições meteorológicas permitam. Também
estaremos fazendo parte da Rede Internacional de medida dos tempos do
trânsito através do nosso celostato(aparelho usado para se
observar atividades solares - Figura 4).
Figura
4 - Celostato da Ufes. Esquerda: espelhos de acompanhamento do Sol;
Direita: Sala de projeção com a projeção do
Sol ao fundo.
Na
sexta-feira, dia 04 de junho, às 19h, o Planetário de
Vitória apresentará uma sessão especial dedicada
ao trânsito de Vênus.
Como
observar o evento em segurança?
Prefira
o método de projeção. Se você tem um
binóculo, uma pequena luneta ou telescópio você
pode observar através do método da projeção
(Figura 5). Este método consiste em colocar uma folha de papel
branco como anteparo na saída da ocular. Nunca
olhe diretamente para o Sol. Isso pode causar cegueira
irreversível.
Figura
5-Projeção do Sol através do telescópio e
uma folha de papel.
Fontes:
http:www.vt-2004.org,
maio de 2004.
http://sunearth.gsfc.nasa.gov/eclipse/transit/TV2004/city-SA.html,
maio de 2004.
http://oficina.cienciaviva.pt/nastab/transitovenus.html,
maio de 2004.
Revista
Cientific Americam, Nº 24, abril de 2004.
*Marcio
Malacarne é Astrônomo, Técnico em Ótica
do Observatório Astronnomico da Ufes e Professor de
Física.
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